A necessidade de um “Ocidente Moderado”

A história é uma ciência muito instrutiva para a humanidade, sempre que puderem ser tiradas lições. A análise do Prof. Dr. Kudret Bulbul.

A necessidade de um “Ocidente Moderado”

Perspetiva Global 10

A história é uma ciência muito instrutiva para a humanidade, sempre que puderem ser tiradas lições. Mas infelizmente, já não é possível tirar mais lições da história. Os factos ocorridos no passado, as dores, as mortes e a violência, são imediatamente esquecidos.

Do Ocidente Selvagem ao Ocidente Moderado

O Ocidente causou duas grandes guerras no século passado que deram origem a mais mortes, sangue e lágrimas que todas as outras guerras juntas, apenas para explorar mais. O Ocidente entrou numa fase em que produziu mais políticas com um eixo de valor focado na Europa, tirando lições da violência da I e II Guerras Mundiais. As políticas com eixo de valor que estiveram na base da União Europeia e que deram prioridade à cooperação, à partilha, à democracia e às liberdades, bem como aos direitos humanos na Europa, trouxeram a paz à Europa e à região.

Do Ocidente Moderado ao Ocidente Selvagem

Mas no mundo de hoje, estamos a fazer a transição para um mundo ancorado nas ameaças. As últimas declarações feitas pelos Estados Unidos, Coreia do Norte e Rússia, transformaram-se numa corrida para saber quem possui mais bombas químicas e nucleares capazes de destruir o outro lado, e para saber quem irá carregar no botão mais cedo.

A situação dos direitos humanos, das liberdades, do pluralismo, liberdade de culto e respeito pelos diferentes estilos de vida, está-se a deteriorar no Ocidente a cada dia que passa. A islamofobia e as correntes anti-imigração aumentam cada vez mais. Segundo os dados do Ministério do Interior da Alemanha, em 2017 ocorreram 950 ataques contra muçulmanos na Alemanha. Em apenas um ano houve 950 ataques. Se acontecesse apenas um centésimo deste número num país oriental, latino ou muçulmano contra cristãos ou judeus, podemos imaginar qual seria a reação do mundo.

Sem dúvida, nunca se deseja ocorram este tipo de ataques. O estreitamento e os ataques no Ocidente, não devem ser um exemplo para outras geografias. Os ataques contra os muçulmanos no Ocidente, infelizmente não se limitam apenas à Alemanha. Quando acontecem no Ocidente, tudo se mantém em silêncio. Os que têm diferentes estilos de vida, nunca antes na história recente da Europa e dos Estados Unidos se tinham sentido sob ameaça.

Enquanto muitos países ocidentais concedem menos asilo aos inocentes, refugiados e sem teto, quase que convidam os membros dos grupos terroristas como a FETO, o PKK e o DHKP/C, que cometem toda a espécie de crimes no seu país, para que se refugiem nos países do Ocidente. Haverá algum outro país no mundo que se transforme em refúgio para os terroristas estrangeiros, fora de alguns países ocidentais? Coloco muitas vezes esta questão.

Por outro lado, ficam cada vez mais afónicas as vozes liberais, pluralistas e democráticas do Ocidente. Estão a ganhar votos os partidos racistas, fascistas e nazis, à custa do declínio dos partidos liberais, pluralistas e democráticos. E nalguns países, estes novos partidos emergentes já chegaram ao poder. Já existem no Ocidente líderes que ameaçam a sua região, os seus vizinhos e outros países, para além das diferenças dentro da sua própria comunidade.

O Ocidente Selvagem e o Fim da História…

Pense por um momento num cenário em que as armas nucleares e as bombas químicas do Ocidente passam a estar sob o controlo destas tendências radicais, que podem acabar com a humanidade. Como seriam usadas estas armas nas mãos dos líderes fanáticos ocidentais, que não consideram como sendo humanos todos aqueles que não pensam como eles, baseando-se em conceitos como o ódio, o isolamento, a descriminação e a aniquilação, em vez de conceitos como a paz, a cooperação, a igualdade, a justiça, a liberdade e os direitos humanos? Imaginar tudo isto é horrível para a humanidade.

É muito claro o potencial destrutivo destas armas, apesar de não serem tão horríveis durante a I e II Guerras Mundiais. Quando se considera a capacidade atual de destruição destas armas, a possibilidade delas passarem a estar sob o controlo das tendências radicais, é quase um convite para o Dia do Juízo Final. Alguns futuristas de agora começaram a escrever artigos sobre “Tomar o Dia do Juízo Final das mãos de Deus” ou “Forças Deus ao Dia do Juízo Final”.

Aqueles que consideram apropriadas todas as ações contrárias aos direitos humanos, liberdades e valores globais, para eliminar as diferenças no seu país, ficarão mais tranquilos depois de eliminarem esta “ameaça”? A história diz-nos que não é assim. É muito claro que este tipo de pessoas arrastaram o seu país e a região para o fogo, depois do genocídio judeu.

A necessidade de um Ocidente Moderado…

Enquanto é muito óbvia e próxima a ameaça que irá definir o caminho do Ocidente, são cada vez mais revistas as disputas do “islão moderado”, em vez da necessidade do “Ocidente moderado”. O islão moderado será o tema de um outro artigo. Mas atualmente, os desenvolvimentos radicais na Europa e nos Estados Unidos preocupam todo o mundo. Neste contexto, a perda de votos dos partidos de centro-direita e centro-esquerda na Europa e o silêncio das correntes liberais, pluralistas e democráticas, não são preocupantes apenas para o futuro da Europa. Vimos no século passado para onde se pode arrastar uma Europa que se rende às tendências radicais. Por isso, as correntes liberais e pacifistas da Terra devem trabalhar juntas para um Ocidente Moderno, em nome da paz mundial.

Esta foi a análise sobre este tema do Prof. Dr. Kudret Bulbul, decano da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Yildirim Beyazit, em Ancara.



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