A visita a África do presidente Erdogan

O Ponto de Vista da Política Externa da Turquia.

A visita a África do presidente Erdogan

O presidente da República da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, efetuou uma visita a 3 países africanos nos últimos dias de 2 017. No programa desta semana, vamos analisar a visita do presidente Erdogan a África e os seus reflexos na política externa da Turquia.

Já a seguir, apresentamos a opinião sobre este tema do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.

Entre os dias 24 e 27 de dezembro de 2 017, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan fez visitas oficiais ao Sudão, Chade e à Tunísia. O objetivo desta viagem foi aprofundar a abertura da Turquia a África. A Turquia quer desenvolver as suas relações em todas as áreas com estes países, e em particular nas áreas da economia e da defesa. A primeira paragem da visita de Erdogan foi o Sudão, que é um dos países com um futuro mais promissor em África. O Sudão vive sob um clima de sanções económicas e políticas desde há quase 20 anos. Recentemente, foi tomada a decisão de levantar estas sanções. No entanto, o levantamento das sanções ainda não se verifica de facto. Mas apesar disso, já há muitas grandes empresas a dirigirem-se para o Sudão.

Durante a sua visita ao Sudão, Erdogan esteve na ilha de Sevakin – uma das cidades portuárias mais importantes de África durante o período otomano. O presidente turco visitou os trabalhos de restauração que estão a ser desenvolvidos no local pela TIKA, a Agência Turca de Cooperação e Coordenação. Erdogan pediu ao presidente do Sudão, Omar al Bashid, que ponha temporariamente a ilha de Sevakin sob administração da Turquia, para que possa ser feita a sua reestruturação. Omar al Bashid aceitou a proposta de Erdogan. Atualmente, discute-se se a concessão da ilha será dada à Turquia por 49 ou 99 anos.

Sevakin foi um importante porto na costa do Mar Vermelho, durante a administração do estado turco (Et devlet-ül Türkiyye) que também dominou o Egito e a Síria. No final do século XV, Portugal passou a ter uma grande supremacia nos mares e destruiu muitos locais, ao atacar os sultanatos muçulmanos nas costas oriental e ocidental de África. Portugal acabaria por assumir a soberania desta região, e em 1 513 Sevakin passou a estar sob administração portuguesa. Naquela altura, durante o reinado de Yavuz Sultan Selim, o império otomano – que era o soberano da Síria e do Egito – era também o soberano do Mar Vermelho. E conseguiu recuperar das mãos dos portugueses muitas zonas na costa oriental de África.

Atualmente, a Turquia começou por fazer saltar à luz do dia a existência histórica de Sevakin através da TIKA. Depois da intervenção turca, o comércio e o turismo na zona deverão voltar a reavivar-se. A Turquia quer também tomar medidas que garantam a segurança do Mar Vermelho e das suas zonas envolventes, graças à colaboração que pretende fazer com o Sudão. Desta forma, a Turquia poderá no futuro próximo garantir um apoio à paz na Somália e no Iémen.

Depois do Sudão, Erdogan seguiu com a sua ampla delegação de homens negócios para N´Djamena, a capital do Chade. As relações políticas entre a Turquia e o Chade começaram no século XVI. Nos últimos tempos, registou-se um importante distanciamento nas relações bilaterais entre a Turquia e o Chade.

Essa distância começou a ser encurtada, depois da visita do primeiro ministro do Chade, Kalzeube Payimo Deubet, que fez uma visita oficial à Turquia entre 15 e 18 de dezembro do ano passado. Durante esta visita, foram assinado vários acordos. Já durante a visita do presidente Erdogan ao Chade, marcou presença na comitiva do presidente turco o chefe do Estado Maior da Turquia, o capitão general Hulusi Akar. Esta presença teve grande importância, tendo em conta o papel ativo do Chade na luta contra o terrorismo na região. Para além do fórum de negócios organizado durante esta visita, foram também assinados acordos de colaboração em muitas áreas, que vão permitir estreitar as relações entre os dois países.

As relações bilaterais entre a Turquia e a Tunísia continuam com base em fortes vínculos históricos e culturais. Os dirigentes máximos de ambos os países têm feito visitas mútuas e são feitas negociações periódicas em todas as áreas. A presença turca na Tunísia durou 300 anos e está na base da proximidade entre a Turquia e o povo tunisino.

Durante a visita realizada pelo presidente tunisino da época, Hamadi Jebali, que esteve na Turquia nos dias 24 e 25 de dezembro de 2 012, foi assinado o Comunicado Político Comum, que contemplou a criação do Conselho de Alto Nível de Colaboração Estratégica. Esta visita foi retribuída pelo presidente Erdogan, ainda no cargo de primeiro ministro da Turquia, entre os dias 5 e 6 de junho de 2 013, que se deslocou à Tunísia para liderar a primeira reunião do Conselho de Alto Nível de Colaboração Estratégica. Durante essa visita, foram assinados 21 acordos e planos de ação em diversos domínios, e foram também assinados 24 protocolos de geminação de cidades turcas e tunisinas. Com a mais recente visita no final de 2 017, as relações bilaterais entre a Turquia e a Tunísia passaram a estar assentes numa base mais firme.

Há 10 anos atrás, havia várias suspeitas em relação à política da Turquia para África. Hoje em dia, estas suspeitas parecem ter sido dissipadas, já que a Turquia mostrou a seriedade da sua presença em África. A presença política da Turquia em África é muito importante nos aspetos político, cultural, estratégico, militar e económico. O interesse que a Turquia tem por África não é mostrado por nenhum outro país ocidental ou muçulmano. O conceito de “Soluções Africanas para África”, avançado por Erdogan durante os seus encontros com os responsáveis da região, recebeu uma resposta muito positiva.

Com esta última visita a África, subiu para 28 o número de países africanos visitados por Erdogan. As Linhas Aéreas da Turquia fazem voos para 51 cidades em 32 países africanos. A Fundação de Educação da Turquia desenvolve atividades em mais de 6 países e a TIKA tem representações em muitos países. Além disso, as organizações não-governamentais turcas desempenham também um papel importante.

Atualmente, as relações internacionais são um campo onde as relações bilaterais assumem uma grande importância. Nesta questão, o potencial estratégico, político, cultural e económico, representa uma grande oportunidade para África. E parece que o presidente Erdogan trabalha para vitalizar estas áreas e que regressou com sucessos da sua visita a África.

Esta foi a opinião sobre este tema do Dr. Cemil Dogaç Ipek, catedrático do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Ataturk.



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